sexta-feira, 4 de julho de 2008

Cântico dos Cânticos:1:2-4 (2a.parte)


A Beleza das que Amam - 2a.parte
A embriaguez faz perder os sentidos. O êxtase deixa o corpo na sua languidez. A força do amor pelo seu amado enfraquece os sentidos da mulher. Assim como o vinho traz alegria aos fracos de espírito, segundo a poesia hebraica, da mesma forma a êxtase do amor traz ao abatido de espírito a volta o vigor. Sentir-se amado e amar devolve às pessoas a energia da autoestima e traz ao coração quebrantado o ungüento do descanso. Amar e ser amado é um toque de animo. Amar e ser amado que se concretiza na junçao dos corpos ardentes de paixão vivencia a graça divina do amor. Aquele que é por essencia amor, permite as suas criaturas vivenciarem este momento mágico da extase do amor. A melhor forma de descrever o momento do amor, é atravez da embriaguez.
A idéia de embriaguez fruto do amor e neste texto pelo amor da mulher é característica dos livros poéticos (Cf. Pv:5:20). Mas também o vinho torna o coração alegre, reanima o espírito. Tudo isso é um presente de Deus que é permitido ao homem desfrutar(Dt:14:26; Jz:9:13; 2ª.Sm:16:1-2; Sl:104:15; Pv:31:4-7; Ec:2:24-25;5:18). O ponto de vista no Antigo Testamento relaciona o vinho como um dom de Deus dado aos homens para que estes experimentem a alegria. Da mesma forma a dadiva de amar, neste poema, a mulher que vence barreiras declarando e desenhando o seu amor pelo seu amado
Os poetas do antigo Egito usavam a sua imaginação para descreverem nos seus poemas de amor. A imagem dos efeitos da embriaguez do vinho nesta canção são para descreverem os efeitos do envolvimento e do relacionamento amoroso sexual
Neste poema é a mulher que toma a iniciativa de fazer amor pois ela está embriagada pelo amor e desejo. Não há barreiras ou preconceitos que evitam a conjunção dos corpos dos amantes do poema. Ela esta embriagada mas sem haver bebido. A embriaguez é o seu amor pelo seu amado. É ela que rompe as estruturas sociais da época. Os costumes e tradições são quebrados pelo amor. Não há correntes nem ferrolhos que segurem àquela que ama
A boca procura os beijos tão desejados pela mulher. Também a degustação do vinho é feita através da língua. Na paixão dos beijos a língua se torna um fator importante de liberdade e transmissão de amor. Pode ser indicado como uma severa critica a um sexo forçado, violento e sem expressão de amor. Esta maneira violenta de amar era tão comum naquele tempo, naquela sociedade e naquela cultura.
Num contexto onde o desejo sexual não era um fator preponderante para a escolha do parceiro. Pois este parceiro era uma escolha não feita pela mulher mas pelos pais ou família. A mulher se expõe e aponta que nas suas entranhas é gerado um desejo que deve ser satisfeito por aquele que ela escolheu. Não é um erotismo animal, mas o erotismo do amor. Erich Fromm escreve, “o desejo sexual visa à fusão, e não é de forma alguma, apenas um apetite físico, o alivio de uma tensão dolorosa. Amar alguém não é apenas um sentimento forte, é uma decisão é um juízo, é uma promessa” Não é a simples satisfação física, mas um envolvimento emocional completo. A frase “suas caricias são mais agradáveis...” expõe os diversos elementos que compõe um relacionamento intimo. As sensações vão alem do físico.
Observe que não é a forma de beijar que o torna “o melhor” mas o “seu amor”. O que pode ser percebido que os beijos são resultados do amor e não vice-versa. A mulher coloca que o amor está acima de qualquer outro valor. O amor é melhor que riqueza e a frivolidade da sociedade da época. A exaltação é dada ao “sabor do amor” e as suas conseqüentes caricias mutuas que mostram a delicia do amor. As caricias ou toque fazem parte do ato de amar. Amar sem tocar é ouvir uma sinfonia sem musica. O toque amoroso estimula o desejo do corpo. Por isso a mulher do poema deseja ser tocada. Mas também o “aroma do amor” é destacado O cheiro que o homem exala provoca na mulher um “despertar do amor”. Não há duvida que o ambiente de espera da mulher a provoca a estimula e desperta a sua sensualidade. A sua expectativa aumenta o desejo de encontrar o seu amado (continua)

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Cântico dos Cânticos:1:2-4 (1a.Parte)


A Beleza das Belas que Amam
Neste texto encontramo uma exaltação dirigida ao homem amado. Devido ao alto conceito que a mulher tem do seu amado, ela deseja “ser beijada”. É a expressão do
furor do amor. É o desejo forte que a mulher sente pelo seu homem. A expressão “se” indica a ansiedade da mulher pelas caricias masculinas, especificamente os beijos. São os momentos preliminares do fazer amor. O ato sexual se inicia com uma sinfonia de beijos que são expressão do desejo reprimido pela ausência. É a vontade de amar que inclui nesse amor o erotismo dos beijos. O interessante do poema é que a mulher se apresenta como uma mulher aberta ao amor. Não somente espera ser beijada, mas também deseja os beijos. É uma mulher ativa que mostra o seu desejo na expressão poética. Ela toma a iniciativa. Não há represão para pedir ser amada e beijada
O amor é expresso como fogo e paixão e não como uma virtude platônica. O texto dos cânticos é a expressão de amor pelo e através do corpo. O objeto amado é visível, desejável. É pele, sangue, rubor, respiração ofegante em busca da satisfação amorosa
O que se enfatiza aqui, são os beijos que são sobre ela, e não sobre outra mulher.
ela pede “ ser coberta de beijos” . A tradução NVI diz “...se a sua boca me cobrisse de beijos...” O desejo chama não somente ser beijada nos lábios, mas o corpo todo da mulher é que deseja as caricias e beijos do amado. Não se cobre somente os lábios mas o corpo todo. A paixão da mulher é em busca da sua satisfação produzida pelos beijos do seu amado. O seu corpo espera. O seu corpo deseja e treme na busca dos beijos que a deixaram embriagada de amor. São as caricias preliminares que preparam a mulher para a sua realização sexual. É a explosão do desejo. A construção hebraica é enfática. Há um pedido com ênfase e urgência de ser beijada
Ao mesmo tempo a palavra “caricia” no plural mostra a diversidade de formas de fazer amor. Visto que a tradução literal no livro tenha o significado de múltiplas maneiras de fazer amor. As formas de amar ou as suas caricias são mais agradáveis do que o vinho. A embriaguez é agradável para aquele que se embriaga. E é isso que representa o beijar para a mulher. O ato de ser beijada é embriagante. Mas não somente o beijar mas as “ formas variadas de amar”. É evidente que o texto não está somente apontado o sentimento, mas a “ arte de realizar o ato sexual”. Esta idéia de realizar-se sexualmente leva a mulher a perder de certa forma os seus sentidos. Assim ela se entrega totalmente ao seu amado. Esta comparação da embriaguez é repetida em 4:10 como em outros textos de sabedoria ou poéticos como no caso de Pv:7:18. Ela literalmente perde a razão pois está envolvida pela emoção do desejo forte da excitação
A comparação que a mulher faz com o vinho representa o alto valor que dá ao seu amado e ao ato de fazer amor. O vinho no antigo Israel podia representar riqueza e poder no estilo de riquezas materiais. (Éster: 1:1-9)O vinho tem a conotação de prestigio e poder pois ele está no meio dos palácios O vinho fazia parte do “ sistema social” hebraico. As festas e os convivas requeriam o vinho e estas festas eram bem vistas quando havia a existência do vinho e este em abundancia. É nessa qualidade que a amada faz a comparação. As caricias do amado são embriagantes tanto quanto o vinho. Além do mais elas devem ser abundantes. As festas eram marcadas pela qualidade e abundancia do vinho. A realização sexual da amada trilha o mesmo caminho. Não é uma prática apressada, mas que seja degustada, como o vinho é degustado. O que temos aqui é a degustação feminina da expressão sexual. “porque melhor é o seu amor do que o vinho” (JFA) (continua...)