
A Beleza das que Amam - 2a.parte
A embriaguez faz perder os sentidos. O êxtase deixa o corpo na sua languidez. A força do amor pelo seu amado enfraquece os sentidos da mulher. Assim como o vinho traz alegria aos fracos de espírito, segundo a poesia hebraica, da mesma forma a êxtase do amor traz ao abatido de espírito a volta o vigor. Sentir-se amado e amar devolve às pessoas a energia da autoestima e traz ao coração quebrantado o ungüento do descanso. Amar e ser amado é um toque de animo. Amar e ser amado que se concretiza na junçao dos corpos ardentes de paixão vivencia a graça divina do amor. Aquele que é por essencia amor, permite as suas criaturas vivenciarem este momento mágico da extase do amor. A melhor forma de descrever o momento do amor, é atravez da embriaguez.
A idéia de embriaguez fruto do amor e neste texto pelo amor da mulher é característica dos livros poéticos (Cf. Pv:5:20). Mas também o vinho torna o coração alegre, reanima o espírito. Tudo isso é um presente de Deus que é permitido ao homem desfrutar(Dt:14:26; Jz:9:13; 2ª.Sm:16:1-2; Sl:104:15; Pv:31:4-7; Ec:2:24-25;5:18). O ponto de vista no Antigo Testamento relaciona o vinho como um dom de Deus dado aos homens para que estes experimentem a alegria. Da mesma forma a dadiva de amar, neste poema, a mulher que vence barreiras declarando e desenhando o seu amor pelo seu amado
Os poetas do antigo Egito usavam a sua imaginação para descreverem nos seus poemas de amor. A imagem dos efeitos da embriaguez do vinho nesta canção são para descreverem os efeitos do envolvimento e do relacionamento amoroso sexual
Neste poema é a mulher que toma a iniciativa de fazer amor pois ela está embriagada pelo amor e desejo. Não há barreiras ou preconceitos que evitam a conjunção dos corpos dos amantes do poema. Ela esta embriagada mas sem haver bebido. A embriaguez é o seu amor pelo seu amado. É ela que rompe as estruturas sociais da época. Os costumes e tradições são quebrados pelo amor. Não há correntes nem ferrolhos que segurem àquela que ama
A boca procura os beijos tão desejados pela mulher. Também a degustação do vinho é feita através da língua. Na paixão dos beijos a língua se torna um fator importante de liberdade e transmissão de amor. Pode ser indicado como uma severa critica a um sexo forçado, violento e sem expressão de amor. Esta maneira violenta de amar era tão comum naquele tempo, naquela sociedade e naquela cultura.
Num contexto onde o desejo sexual não era um fator preponderante para a escolha do parceiro. Pois este parceiro era uma escolha não feita pela mulher mas pelos pais ou família. A mulher se expõe e aponta que nas suas entranhas é gerado um desejo que deve ser satisfeito por aquele que ela escolheu. Não é um erotismo animal, mas o erotismo do amor. Erich Fromm escreve, “o desejo sexual visa à fusão, e não é de forma alguma, apenas um apetite físico, o alivio de uma tensão dolorosa. Amar alguém não é apenas um sentimento forte, é uma decisão é um juízo, é uma promessa” Não é a simples satisfação física, mas um envolvimento emocional completo. A frase “suas caricias são mais agradáveis...” expõe os diversos elementos que compõe um relacionamento intimo. As sensações vão alem do físico.
Observe que não é a forma de beijar que o torna “o melhor” mas o “seu amor”. O que pode ser percebido que os beijos são resultados do amor e não vice-versa. A mulher coloca que o amor está acima de qualquer outro valor. O amor é melhor que riqueza e a frivolidade da sociedade da época. A exaltação é dada ao “sabor do amor” e as suas conseqüentes caricias mutuas que mostram a delicia do amor. As caricias ou toque fazem parte do ato de amar. Amar sem tocar é ouvir uma sinfonia sem musica. O toque amoroso estimula o desejo do corpo. Por isso a mulher do poema deseja ser tocada. Mas também o “aroma do amor” é destacado O cheiro que o homem exala provoca na mulher um “despertar do amor”. Não há duvida que o ambiente de espera da mulher a provoca a estimula e desperta a sua sensualidade. A sua expectativa aumenta o desejo de encontrar o seu amado (continua)
